Coleção: Café ao estilo japonês
O Japão é frequentemente associado à tradição do chá, com as suas cerimónias requintadas e os seus famosos chás verdes, como o matcha e o sencha. No entanto, o café chegou ao Japão logo no século XVI, aproximadamente na mesma época que à Europa, introduzido por comerciantes neerlandeses. Hoje, contra todas as expectativas, o Japão é um dos maiores importadores de café do mundo.
O que distingue o Japão é a forma como o café foi integrado na sua própria cultura, nomeadamente através dos kissaten. Estes cafés tradicionais, surgidos no final do século XIX, são espaços intemporais onde se pode saborear um café preparado com todo o cuidado, muitas vezes à mão, num ambiente calmo e nostálgico. Os kissaten não são simples cafés: representam a arte de apreciar um bom café num ambiente intimista, onde o serviço é tão requintado como a própria bebida. Estes estabelecimentos desempenham um papel fundamental na história e na divulgação do café no Japão, proporcionando uma experiência muito diferente da dos cafés modernos, embora continuem profundamente enraizados na tradição japonesa de hospitalidade e atenção aos detalhes.
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Saiba mais sobre o café japonês V60
O que é o café V60 e em que se distingue dos outros métodos de extração?
O café V60 é um método de extração suave por percolação manual, desenvolvido pela Hario, uma marca japonesa especializada em acessórios para café de especialidade. O seu nome deriva da forma em V do dripper, inclinado a 60°, que favorece um fluxo uniforme e um melhor controlo da infusão.
O que distingue o V60 dos outros métodos?
- Um filtro de papel fino: Retém os óleos e as micropartículas, proporcionando um café mais limpo e equilibrado.
- Controlo total sobre a extração: A velocidade e a forma de verter a água influenciam o sabor, ao contrário do que acontece com uma cafeteira clássica.
- Aromas precisos e complexos: Graças a uma moagem adequada e a um movimento circular ao verter a água, o V60 revela notas frutadas, florais ou achocolatadas, consoante os grãos utilizados.
Comparação com outros métodos
- V60 vs Chemex: A Chemex utiliza um filtro mais espesso, o que resulta num café ainda mais límpido, mas com menos corpo.
- V60 vs AeroPress: A AeroPress combina pressão e imersão, proporcionando um café mais encorpado e mais rápido de preparar.
- V60 vs máquina de café: Ao contrário das máquinas de filtro elétricas, o V60 permite um controlo preciso do caudal e da temperatura da água.
Porque é que este método é popular no Japão?
O Japão é conhecido pela atenção ao detalhe e pelo apego a métodos de preparação meticulosos. O V60 permite um controlo total da extração, ajustando a temperatura da água, o caudal e a moagem, o que corresponde à cultura japonesa do aperfeiçoamento.
O café filtrado no Japão inspira-se na cerimónia do chá, onde cada gesto é preciso e ponderado. A infusão lenta e o movimento circular ao verter a água lembram esta abordagem meditativa e respeitosa do produto.
Desde os anos 2000, o Japão afirmou-se como um importante interveniente no café de especialidade, com torrefatores e coffee shops que destacam grãos excecionais e métodos de extração manuais, como o V60.
Ao contrário das máquinas de expresso ou das cafeteiras elétricas, o V60 é acessível, simples de utilizar e requer pouco equipamento: um dripper, um filtro de papel, uma chaleira e uma balança. Este método agrada aos apreciadores que procuram um café suave, com aromas subtis.
A Hario, uma empresa japonesa fundada em 1921, contribuiu amplamente para a popularização do V60 ao desenvolver um dripper inovador, disponível em vidro, cerâmica ou plástico, e ao promover esta técnica junto de baristas e apreciadores de café em todo o mundo.
Que tipo de café utilizar para uma extração em V60?
Para uma extração em V60, recomenda-se utilizar café de especialidade, idealmente em grão, para o moer imediatamente antes da infusão. Este método realça a complexidade dos aromas, pelo que é preferível optar por uma torra clara a média, que preserve as notas frutadas, florais ou achocolatadas. Uma moagem média a média-fina é essencial: se for demasiado fina, abrandará o escoamento e dará origem a um café amargo; se for demasiado grossa, a extração será demasiado rápida e o café ficará sem corpo.
As origens mais adequadas para o V60 são a Etiópia, pelos seus aromas florais; o Quénia, com a sua acidez viva e notas de frutos vermelhos; a Colômbia, pelo equilíbrio entre doçura e vivacidade; ou ainda a Guatemala, que oferece um café com notas achocolatadas e especiadas. Algumas plantações experimentais no Japão também propõem cafés excecionais, perfeitamente adequados a este método. Sendo o V60 uma extração suave, recomenda-se escolher um café com notas aromáticas complexas, que se revelarão plenamente graças ao controlo preciso da infusão.
Qual é a receita ideal para um café V60 equilibrado?
A receita clássica recomenda 15 g de café moído para 250 ml de água, com uma moagem média a média-fina, semelhante ao sal marinho. A água deve ser filtrada e aquecida entre 90 e 96°C para evitar a extração de sabores indesejáveis.
Etapas de preparação:
- Enxaguamento do filtro : Coloque um filtro de papel no dripper V60 e enxague-o com água quente para eliminar os resíduos de papel e pré-aquecer a jarra.
- Adicionar o café : Deite 15 g de café moído na hora no filtro e agite ligeiramente para distribuir uniformemente a moagem.
- Pré-infusão (blooming) : Deite 30 a 40 ml de água quente em círculos concêntricos e deixe repousar durante 30 a 45 segundos para libertar os gases do café moído.
- Extração : Deite a água lentamente em círculos, em várias etapas, até atingir um total de 250 ml. A extração completa deve durar entre 2 min 30 e 3 min 30.
- Prova : Retire o dripper, mexa ligeiramente o café na jarra para equilibrar os aromas e sirva.
Quais são os erros comuns a evitar?
Eis os erros comuns a evitar com o método V60:
- Utilizar uma moagem inadequada
Uma moagem demasiado fina abranda o escoamento da água, o que pode resultar numa extração excessiva de amargor. Por outro lado, uma moagem demasiado grossa deixa a água passar demasiado rapidamente, produzindo um café subextraído, insípido e sem complexidade aromática. - Escolher uma temperatura da água inadequada
A água demasiado quente (acima de 96°C) queima o café e acentua o amargor. Uma água demasiado fria (abaixo de 90°C) não permite uma extração ideal e dá origem a um café demasiado leve. É preferível apontar para uma temperatura entre 90 e 96°C para obter um equilíbrio perfeito. - Utilizar água não filtrada
A água da torneira, frequentemente demasiado rica em minerais ou cloro, pode alterar o sabor do café. Recomenda-se utilizar água filtrada ou com baixo teor mineral para preservar a pureza dos aromas. - Verter a água demasiado depressa ou de forma irregular
Uma extração em V60 baseia-se num controlo preciso do fluxo de água. Verter demasiado depressa impede uma extração homogénea, enquanto um fluxo irregular pode criar zonas de subextração ou sobre-extração. O ideal é verter lentamente, em círculos concêntricos, para saturar bem toda a moagem. - Descurar o enxaguamento do filtro
Um filtro de papel não enxaguado pode libertar um sabor indesejado que passa para o café. Antes de começar, é essencial verter água quente através do filtro para o limpar e pré-aquecer o recipiente. - Esquecer a pré-infusão (blooming)
Quando a água entra em contacto com o café acabado de moer, liberta dióxido de carbono sob a forma de pequenas bolhas. Se esta fase não for respeitada, os aromas do café não serão extraídos de forma ideal. Deve, portanto, verter uma pequena quantidade de água (2 vezes o peso do café) e aguardar 30 a 45 segundos antes de prosseguir com a infusão. - Não mexer após a extração
Quando a extração termina, as diferentes camadas do café podem separar-se no recipiente. Uma ligeira mistura com uma colher de madeira ou um suave movimento circular do recipiente permite uniformizar os aromas antes de servir.
É possível utilizar este método para preparar um café gelado?
Sim, o método V60 pode ser perfeitamente utilizado para preparar um café gelado, também conhecido como «flash brew». Ao contrário da infusão a frio (cold brew), esta técnica permite conservar a vivacidade e a complexidade aromática do café, arrefecendo-o instantaneamente.
Para isso, basta adaptar a receita, substituindo parte da água quente por gelo colocado diretamente na jarra. Por exemplo, para uma preparação clássica de 300 ml, utilize 150 g de gelo e 150 ml de água quente. A extração segue as mesmas etapas de um V60 tradicional: pré-infunda o café moído durante 30-45 segundos e, em seguida, verta a água lentamente, em círculos concêntricos. Quando a extração terminar, o gelo faz baixar instantaneamente a temperatura, preservando assim os aromas e evitando a oxidação.
Porque é necessário pré-infusar o café antes da extração?
A pré-infusão, também chamada blooming, é uma etapa essencial na extração em V60. Consiste em verter uma pequena quantidade de água quente sobre o café moído (geralmente, 2 vezes o peso do café) e deixar repousar durante 30 a 45 segundos antes de prosseguir com a infusão principal.
Esta fase permite eliminar o dióxido de carbono retido no café após a torra. Se este gás não for libertado antes da extração, pode criar bolhas e impedir a saturação uniforme do café moído, conduzindo a uma extração desequilibrada. Ao fazer a pré-infusão, garante-se que a água penetra uniformemente no café, otimizando assim a extração dos óleos, aromas e açúcares naturais.
Sem esta etapa, o café pode ficar subextraído, resultando numa chávena desequilibrada, com aromas pouco desenvolvidos e uma acidez demasiado acentuada.


















